Hipocondria – Guia para entender o que está acontecendo

A Hipocondria é uma condição que faz com que o indivíduo acredite que possui alguma doença, transtorno ou problema, geralmente identificando sintomas observando a própria rotina ou mesmo considerando aspectos que não são visíveis para terceiros.   

Porém, não se trata de algo simples ou fácil e, muitas vezes, pode levar anos e muito sofrimento até que o paciente seja diagnosticado, resultando no consumo de muitos medicamentos e até de procedimentos médicos invasivos.

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Dessa maneira, aqui você vai entender melhor como se caracteriza e quais são os sinais desse transtorno e como é possível identificar e cuidar dessa doença.

O que é Hipocondria?

A princípio, é interessante entender como essa palavra surgiu e começou a ser usada, já que este é o nome popular da doença.

Neste aspecto, é a junção de “hypo” e “kondrós”, que significam “abaixo” e “cartilagem do tórax”, respectivamente. Ou seja, se refere a uma região que fica bem abaixo das costelas e onde podemos encontrar diversos órgãos importantes, como os rins, vesícula biliar e baço.

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É importante lembrar que, no início das pesquisas sobre doenças, acreditava-se que tudo era resultado de um desequilíbrio dos humores ou das biles presentes no corpo.

Sendo que a hipocondria estaria relacionada com a bile negra, levando ao ódio, tristeza e até por um desgosto pela vida.

Já a definição dela como doença veio com Galeno.

Segundo ele, existiam condições ou distúrbios sexuais que provocava uma grave melancolia ou histeria.

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Já Freud definia esse transtorno como uma aflição corporal onde havia um forte impulso da libido. Inclusive, o pai da Psicanálise em seus estudos sobre o narcisismo, destacou que haveria uma relação entre paranoia e a hipocondria. Logo, seria possível compará-la com a angústia.

Cabe destacar que existem muitos pensadores importantes que estudaram e falaram sobre o assunto, como Schreber com a ideia da “doença dos nervos”.

Para os amantes de classificação, a Hipocondria é listada no CID-10 como um distúrbio psiquiátrico de nome oficial Nosomifalia. Geralmente, essa condição está associada ao Transtorno Obsessivo Compulsivo.

O que exatamente significa tudo isso?

Com todas as ideias que cercam uma condição, nem sempre é fácil entender o que exatamente um transtorno significa ou o que ele causa.

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Dessa forma, a hipocondria é um estado no qual o indivíduo acredita que possui uma doença grave. Na maioria das vezes, os primeiros sintomas aparecem decorrente de uma preocupação excessiva, com a saúde ou ligada a outros aspectos, fazendo com que ela tenha certeza sobre o assunto, inclusive sentindo dores e relatando sintomas que parecem verdadeiros.

Não é incomum que esses pacientes procurem diversos médicos e sempre quanto é questionado ou quando nada é encontrado, segue para outro profissional, acreditando que aquele não foi bom o suficiente.

Assim, trata-se de uma condição mental de completa crença, ou seja, não é uma tentativa racional de conseguir remédios (comum em dependentes) ou mesmo de um fingimento para fugir de uma situação.

Da mesma maneira, essa preocupação é agravada com o tempo, fazendo com que o distúrbio fique cada vez mais evidente e “pior”, acompanhado de um medo irracional de piorar ou mesmo de morrer.

A maioria dos pacientes tem uma obsessão com se prevenir, o que também resulta no consumo de remédios e na repetição constante de exames.

Por isso, existem diversos riscos associados a esse transtorno, como a automedicação, que pode causar overdoses ou intoxicações, crises de ansiedade, pânico, depressão e mais.

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Ao mesmo tempo, tudo isso pode causar um novo ciclo: ao passar mal por se automedicar, o indivíduo acredita que aquele é um sinal ou sintoma, novo ou que confirma o quadro.

Principais preocupações do quadro

O paciente hipocondríaco, aquele que tem esse transtorno, pode desenvolver a doença em qualquer fase da vida, desde a infância até a velhice.

A maioria dos casos começa de forma quase leve, com uma preocupação natural relacionada a algum aspecto, mas que progride e se torna excessiva, quase assemelhando-se a uma obsessão.

Sendo assim, pode surgir decorrente de uma dor muscular, uma dor no dente, alteração na cor da urina ou mesmo após um quadro real, de alguma doença.

Desse modo, as preocupações são variadas, sejam voltadas para apenas um aspecto ou várias, bem como podendo mudar ao longo da vida.

Por exemplo, tudo pode começar com uma dor de cabeça que leva a muitos remédios e exames, com a crença de que existe um tumor, chance de AVC ou mais. Quando nada é encontrado, após algum tempo, o sujeito passa a identificar que essa dor pode estar relacionada a outro fator, como um problema nos olhos/visão, problemas hormonais, anemia ou uma doença crônica.

Tudo isso acompanhado de “sintomas” que parecem comprovar tudo.

Portanto, não existem doenças específicas que o hipocondríaco “tem”. Mas podem envolver tumores/canceres, sistema cardíaco, doenças venéreas ou mesmo uma gripe, infecções e dengue.

Enfim, qualquer doença que ele possa conhecer, pode ser a escolhida.

Por que ele continua a fazer exames?

Muitas vezes, ao conhecer um indivíduo hipocondríaco, muitos se perguntam por que ele continua realizando exames e procurando médicos que confirmem o seu quadro, mesmo após tantas negativas.

A realidade é que a preocupação e o medo são totalmente reais.

Neste cenário, ele acredita que precisa buscar uma cura, alguém que possa encontrar o que está errado.

Da mesma maneira, é uma forma temporária de ver a saúde como algo que está bem, garantindo algum alívio. Claro que isso só dura até que a próxima ideia se instale.

Sintomas e morbidades

A hipocondria, assim como outras doenças psiquiátricas, possui alguns sintomas característicos, que podem ajudar na identificação do quadro.

Entretanto, não é o indivíduo que tem a doença que percebe esses sinais, mas aqueles que estão “de fora”, sejam amigos, médicos, familiares ou mesmo filhos e cônjuges.

Sendo assim, fique atento a:

  • Apreensão excessiva sobre saúde sem motivo aparente;
  • Ansiedade prolongada;
  • Pesquisa e consultas médicas frequentes;
  • Busca contínua por sintomas;
  • Medo de morrer ou ideia de que está à beira da morte;
  • Pensamento obsessivo com a doença;
  • Isolamento social;
  • Descrença contínua em profissionais da saúde, geralmente após exames e consultas frustradas.

Ao mesmo tempo, é comum uma somatização. Ou seja, a percepção de um quadro ou conhecimento de uma doença parece gerar sintomas associados a ele, causados por fatores emocionais.

Também é comum que esses pacientes procurem um atendimento terapêutico para confirmar o quadro, para que alguém entenda e valide todos aqueles sintomas.

Por exemplo, você começa a ler sobre sintomas de enxaqueca e tumores cerebrais. Em pouco tempo, começa a notar que tem alguns daqueles sintomas. No dia seguinte, um daqueles que você leu começa a se manifestar, quase comprovando o seu quadro.

Neste aspecto, é possível que você sinta dores tão fortes que não consegue cumprir com a rotina, tem crises de choro e até desmaia.

Da mesma forma, os sintomas mais comuns que surgem nos hipocondríacos incluem:

  • Cefaleia (dores de cabeça);
  • Coceiras;
  • Taquicardia;
  • Falta de ar;
  • Angústias;
  • Crises de ansiedade;
  • Tristeza profunda;
  • Dores, principalmente musculares;
  • Alterações na visão, etc.

Morbidades da Hipocondria

A morbidade é um termo usado para se referir a condições que surgem a partir de outras, ou seja, são condicionadas e, em alguns casos, esperadas.

Por exemplo, em um paciente com um quadro grave de depressão, é esperado que ele apresente isolamento social, crises ansiosas, apatia, falta de cuidados com a higiene, alterações no humor, entre outras.

Justamente por isso, no hipocondríaco, é comum: 

Síndrome do Pânico

A Síndrome do Pânico é caracterizada como crises de ansiedade intensas e repentinas que causam desconfortos, mal-estar, medo e sintomas físicos, como taquicardia e desejo de fuga.

Geralmente, essas crises ocorrem por algum fator específico, que pode ser desencadeado por momentos, lugares, pessoas, etc.

Frequentemente, o hipocondríaco desenvolve a síndrome do pânico decorrente dos sintomas ou crença, como de que vai morrer e ninguém encontra o problema. Ou seja, quando aparece um sintoma ou uma situação específica, a crise ocorre.

Transtorno Obsessivo Compulsivo

Outra morbidade comum da hipocondria é o transtorno obsessivo compulsivo, caracterizado como obsessões de várias ordens, que surgem em qualquer momento, de forma incontrolável e causam angústia, tristeza e ansiedade.

Assim, o TOC pode surgir como uma ideia fixa que causa algum comportamento. Hipocondríacos que acreditam que estão contaminados, desenvolvem uma obsessão por limpeza ou uma verificação exagerada.

Depressão

A depressão é uma das doenças mais comuns associada a outros transtornos.

No caso da hipocondria, é comum que a busca constante por um diagnóstico, respostas negativas de profissionais, queixas das pessoas que estão à volta, descrença e invalidação podem desencadear um quadro de tristeza.

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Ao mesmo tempo, esses sentimentos associados ao isolamento, incertezas, medos e dificuldades para seguir com a rotina, agravam o quadro mental.

Principais complicações da hipocondria

A principal complicação da hipocondria é automedicação.

Principalmente em território nacional, existem uma série de medicamentos que podem ser comprados nas farmácias ou mesmo online sem nenhuma receita. O que facilita a vida desses pacientes.

Afinal, não se o médico diz que você não tem, mas acredita que tem, pode procurar remédios que vão “ajudar” com aquele diagnóstico.

O problema da automedicação é que pode causar diferentes problemas, desde uma dependência química, ineficácia (exigindo remédios cada vez mais fortes), intoxicações ou mesmo uma overdose.

Outra complicação é a realização de exames desnecessários e, muitas vezes invasivos. Como raio-x, ressonâncias, exames de sangue e outros.

Na prática, se um médico se recusa a fazer o exame, procura outra clínica, outro profissional e assim sucessivamente, em uma busca constante por uma resposta que condiz com aquilo que o paciente crê.

Enfim, há muitos casos de hipocondríacos que passam a faltar constantemente do trabalho ou das aulas, afasta os demais afetando vínculos e núcleos familiares/amigos.

Em suma, como o paciente acredita naquela condição, mesmo que apenas ele veja os sintomas, há um excesso de coisas que surgem a partir de qualquer sinal diferente ou incomum.

A longo prazo, a hipocondria pode causar diversos problemas mentais e médicos, como aumento do ritmo cardíaco, tendência a vícios, altos níveis de estresse, traz prejuízos no estilo de vida e mais. Algumas dessas questões foram apontadas na Revista BMJ Open em uma pesquisa produzida na Noruega.

Causas

A causa da hipocondria não é definitivamente compreendida, sendo variável para cada paciente, sendo necessário observar caso-a-caso.

Muitas vezes, são observadas algumas características em comum, como experiências traumáticas ou negativas, principalmente na infância, casos de doenças graves na família ou em pessoas próximas (que resultem ou não em morte), diagnósticos de ansiedade ou de TOC e mais.

Da mesma maneira, indivíduos que foram negligenciados em algum momento, seja na infância, quando estavam doentes ou em outros momentos, estão mais propensos a desenvolver uma preocupação excessiva. Essa preocupação pode ser direcionada para a questão da saúde.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da hipocondria é feito através de observação clínica, realizada por profissionais qualificados na área da psiquiatria e psicologia.

Dessa forma, são observados comportamentos, observações, avaliações e condições gerais da vida do paciente, as preocupações que ele possui, quanto tempo dura isso e quais as morbidades associadas.

Para um diagnóstico efetivo, a condição deve ter uma duração mínima de 6 meses.

A partir do diagnóstico, o tratamento é iniciado com atendimentos psicoterapêuticos. Uma das abordagens mais recomendadas é a Cognitivo-Comportamental.

Porém, a forma como esse tratamento vai acontecer é individual, a partir dos transtornos associados, saúde, estilo de vida e outras questões do paciente.

Geralmente, são estabelecidas algumas regras básicas, como:

  • Parar qualquer pesquisa por doenças ou sintomas;
  • Reduzir o consumo de internet;
  • Definir uma rotina a ser seguida;
  • Trabalhar em mudanças rápidas, como fazer algum exercício ou sair com pessoas que você goste;
  • Buscar formas de desmistificar as crenças;
  • Reformar a autoestima;
  • Aprender a reconhecer as crises de ansiedade, desenvolver formas de se recuperar e lidar com isso;
  • Equilibrar o humor e entender o que causa picos de estresse, para reduzi-los;
  • Parar com a automedicação e realização de exames sem justificativa profissional;
  • Parar de procurar por vários profissionais e estabelecer uma relação com uma equipe ou médico.

Enfim, a forma como isso vai acontecer varia conforme as suas necessidades e o quadro, que é observado de forma ampla e intrínseca, considerando todas as características que diferenciam a condição.

Mas, se precisar de ajuda para você ou reconhecer que alguém apresenta esses sintomas, recomende/procure ajuda profissional com os melhores profissionais Fepo sem sair de casa.

Felipe Laccelva

Felipe Laccelva

Psicólogo formado há mais de dez anos, fundador e CEO da Fepo. Fascinado pela Abordagem Centrada na Pessoa, que tem a empatia como eixo central para transformar o ser humano. Sempre buscou levar a psicologia para mais pessoas e dessa forma criar um mundo mais saudável e acolhedor.

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